Texto postado em Imbecil e Inexperiente no dia 17 de março de 2012.

Pronto, leitor imaginário. A postagem (que eu prometi publicar em uns dois posts, acho) está aqui. Agora, acomode-se, aconchegue-se em sua cadeira: a forma com que abordarei este assunto pode lhe ofender, ou mais provavelmente, lhe fazer pensar que sou uma completa idiota – o que não deixa de ter um fundo de verdade. Afinal, o que você esperava de um blog cujo título é “Imbecil e Inexperiente”?

Não, leitor imaginário e universitário (ou já formado), não vou ofender a sua universidade. Farei pior.

Há anos venho pensando no que fazer depois que o Ensino Médio for concluído. Pensei em áreas diversas: Jornalismo, Publicidade, Letras, Belas Artes, e até mesmo Psicologia… Pensei uma vez. Duas vezes. Três vezes. Ouvi sugestões de parentes e amigos próximos. Pensei de novo. Ponderei. Pensei mais n vezes. E assim fui repetindo esse círculo vicioso, até chegar em uma conclusão:

“Eu não seria feliz sendo jornalista. Publicidade é bacana, mas não o suficiente. Letras pode parecer uma boa ideia, mas vou me frustrar. Belas Artes, hm, quem sabe, mas não. E a Psicologia deixo para o meu irmão, não sei nem porque pensei nisso. Quer saber de uma coisa? Vou fazer porra nenhuma! …É sério. Fuck the police, fuck the teachers, fuck the vestibular, fuck the ENEM, fuck the pedantes. (Não traduzi de propósito, viu, leitor bocó?)

Sim, amigo imaginário. Você leu e entendeu isso mesmo: EU NÃO FAREI A MERDA DA FACULDADE!

Agora imagino milhões de comentários aqui, que variam de “E O QUE VOCÊ VAI FAZER DA VIDA DEPOIS?”, “GURIA RETARDADA QUE NÃO SABE DE NADA DA VIDA” a “VAI TOMAR NO CU, IDIOTA!”.

Antes que a “nobreza” da internet resolva fazer comentários raivosos a esmo, permita-me explicar:

Nunca, em hipótese alguma, um diploma em qualquer curso que fosse poderia me fazer realizada. Gastaria 4 ou 5 anos da minha vida em algo que eu, com toda a certeza do universo, não usaria para nada além de dizer: “É, eu tenho um diploma, agora pare de encher o saco.”

O ponto é: não me identifico totalmente com nenhuma área. Nenhuma. Essas áreas que citei previamente têm, sim, algo que me interessaria. Note: apenas algo. Mas fazer o curso em si seria irritante, chato, e até mesmo depressivo – afinal, eu odeio ter que fazer algo que não escolhi fazer. Só o curso técnico já está sendo uma tortura, mas graças a Deus este é o meu último ano nessa merda.

Não nasci para ficar confinada em um escritório; seja mandando nos outros, seja sendo mandada por outros.

Não há nada neste grande “cardápio de profissões” que consiga capturar pelo menos 50% do meu interesse… E não é por vagabundice, não. Se fosse, eu admitiria. Nunca minto no que escrevo.

Além disso, creio que se não houvesse tamanha pressão das instituições de ensino, ninguém ligaria pra isso. Sim, pressão. Somos pressionados desde pequenos.

  • Primeiros anos do Ensino Fundamental (1ª série até a 4ª, mais ou menos): O que você quer ser quando crescer?
  • A partir da 5ª série: O que você vai ser quando crescer?
  • 8ª série: Já pensou no que vai fazer na faculdade?
  • 1º e 2º anos: O que você vai fazer na faculdade?
  • 3º ano (e 4º, pro pessoal que se fode no curso técnico como eu): Qual o seu nome? Fulano, diga o que você fará quando sair daqui. Ah, curso tal? Legal. Ok. E você aí atrás, qual é o seu nome e o que fará quando sair daqui? Hm, legal. Agora façam uma redação sobre a área que vocês vão trabalhar, valendo dois pontos e meio, pra entregar no dia 18.

Não entendeu aonde quis chegar com isso? Explico:

No primeiro tópico, somos perguntados sobre o que queremos. No segundo, o que seremos. No terceiro, já em tom de cobrança, se já pensamos sobre o assunto. No quarto tópico, o que faremos. E por último, o pior estágio de todos: a pressão chega a um nível tão escroto, a pergunta fica tão automática que nem se importam mais com o que queremos. Neste estágio, esquecem-se de perguntar se realmente queríamos isso para nós mesmos. Não chega nem a ser uma pergunta. Vira cobrança pura misturada com a famosa neura apressada de vestibular.

E nessa cobrança, entra o comportamento típico e questionável dos professores:

Típico blá-blá-blá de professor.

Nessa cobrança toda, os professores são como um Seu Barriga na vida dos alunos – uma versão muito mais chata e sem o brilho da criatividade genial do Chesperito. Os alunos normais, que aceitaram a pressão, são os moradores da vila. E eu sou o Seu Madruga: sempre devendo 14 meses de aluguel, sempre fugindo da barriga do Seu Cobrança. Digo…

Fora que com o diploma do curso técnico, eu tenho chances no mercado de trabalho. Sutilmente reduzidas pelo fato de ser mulher, mas estão aí. Logo, a falácia de “sem diploma, você não é nada” torna-se inválida. Não preciso de faculdade pra ganhar dinheiro.

Ah, já ia me esquecendo… Não quero ter uma vidinha comum e medíocre, aquela coisa de “vou me formar numa UniQualquer, num curso meia-boca, comprar minha casa e meu carro, me casar e ter dois filhos, a Maria Eduarda e o João Vitor”. Os tradicionais que me desculpem, mas não vejo graça nisso.

Deu pra entender onde quero chegar?

Mas não se ofenda, amigo leitor imaginário: não leve a minha opinião tão a sério. Se você quer fazer – ou já fez – faculdade e se sente feliz assim, faça, oras. Do mesmo jeito que a sua opinião não influi a minha em nada, a minha também não terá influências sobre a sua. Sabe, esse negócio de fazer discussões intermináveis na internet é tão 2006…

Não me xingue no Twitter, ok, amiguinho imaginário?

Ana out.